É hora de a juventude mostrar a sua cara.
No ano de 1992, o mundo foi surpreendido com a participação dos chamados "caras pintadas" no processo de cassação de Fernando Collor de Mello, devido a corrupção que havia em seu governo, comandada por PC Farias.
É chegada a hora de os novos "caras pintadas 2006" mostrarem o seu valor, haja vista hoje, a situação em relação ao governo Collor, pode ser equacionada à mil. Foi cometido um crime contra as instituições democráticas no Brasil, e é preciso que a juventude de um basta nisso tudo.
Quero compartilhar no meu Tigblog, este artigo do Professor Paulo Renato de Souza, que foi publicado no Jornal o Estado de São Paulo do dia 24 de Julho de 2005:
"O maior crime cometido pelo Partido dos Trabalhadores e por proeminentes mebros do governo do presidente Lula não tem tido o destaque merecido neste mar de denuncias a que estamos assistindo. É o crime cometido contra a democracia e o aperfeiçoamento democrático de nosso país.
O presidente recebeu um mandato das urnas e em função dele jurou defender e aprimorar a democracia brasileira. Hoje sabemos que, desde sua posse, seu partido e alguns de seus ministros mais próximos, lideraram o maior esquema de coruupção de quem tem noticia nossa história, destruindo o já precário sistema partidário existente e jogando muita lama sobre a instituição maior do regime democratico, o Congresso Nacional.
O problema não é apenas a fraude no financiamento das campanhas políticas. Apesar de grave em si mesmo, esse tema fica bem menor diante do assunto muitíssimo mais escabroso que é o uso do dinheiro público para financiamento do partido do governo, para o enriquecimento privado de alguns membros de sa nomenclatura e para a compra de apoio de outros partidos no Congresso.
Infelizmente, o roubo de dinheiro público com as mais diversas finalidades não é novo em novo em nosso país. Por essa razão, um presidente já sofreu o impeachment, vários parlamentares foram cassados, alguns juízes e prefeitos foram presos e outros continuam sendo processados.
Ao contrario do que afirmou o presidente Lula na sua insólita entrevista dada em Paris na semana, o PT fez sistemáticamente o que ocorria ocassionalmente, mas não era a regra geral na política brasileira.
Como consequência, o partido do presidente e alguns de seus auxiliares mais próximos conspiraram e agiram concretamente para desmoralizar o sistema partidário e a democracia brasileira, ao substituir o debate político pela compra de parlamentares e a arrecadação legal de fundos pelo uso do dinheiro público para o financiamento de suas atividades partidárias.
A ameaça à democracia não se esgota aí, mas está presente também na resposta do governo à crise. De um lado, o próprio presidente chamou uma cadeia de televisão para fazer proselitismo de seu governo, tentar mistificar os fatos e afirmar que nunca se combateu tanto a corrupção no país e dizer inverdades ao assumir a paternalidade de medidas que já haviam sido tomadas pelo governo do presidente anterior, que foi o Professor Fernando Henrique Cardoso.
De outro, a ameaça se revela também na ação espalhafatosa e absolutamente parcial da polícia federal associada com segmentos do Ministério Público e do Judiciário nos momentos imediatos à divulgação dos escândalos. Não estou criticando o que foi feito, mas sim o quem não o foi.
O caso Waldomiro Diniz se arrasta há bem mais de um ano sem nenhuma solução de parte de nossa Polícia Federal, que se mostra tão eficiente e "repúblicana" em outros episódios;o senhor Marcos Valério está até agora em liberdade para queimar suas provas como todo o Brasil assistiu na televisão;
O Banco Rural vem frequentando as páginas de denúcnias de lavagem de dinheiro desde a CPI do BANESTADO, sem que dirigentes sejam molestados sejam molestados; isso sem contar as denúncias sobre a existência de um cofre na própria sede do PT.
Em nenhum desse temas pudemos observar a força do governo no combate à corrupção. Usar o poder do Rstado para mistificar e mentir e o poder policial de forma discriminatória, com claros propósitos de desviar a atenção da população para graves problemas surgidos do próprio governo, são condutas que se aproximam mais de regimes totalitários do que a democracia.
Até a ultima semana, o presidente estava de certa forma afastado dessas denúncias, mesmo porque a oposição fazia de conta que acreditava ser ele alheio a todos esses fatos. Depois de sua entrevista em Paris já citada, essa atitude fica mais dificil de ser mantida. Garantir a governabilidade, isolando o presidente da crise era o argumento até agora usado por muitas lidranças empresariais e da oposição para a sua postura benevolente para com o primeiro mandatário.
Esse raciocínio desconsidera o tamanho da crise e a ameaça à democracia que ela encerra. O país e suas lideranças devem pensar hoje na governabilidade futura do país e não nos fatos episódicos imediatos. Desde o processo de redemocratização, essa drise traz consigo a maior ameaã à sobrevivência do regime democrático em nosso país pela desmoralização e destruição das instituições. Hoje, ninguém é capaz de prever o seu desfecho e ele pode ser muito ruim para o futuro das liberdades em nosso país.
O único caminho que resta aos democratas é promover a apuração minuciosa dos fatos e a punição rigorosa dos responsáveis, sejam eles quem forem e estejam nos partidos em que estiverem. Não pode haver haver transigência e não podemos ser lenientes, sob pena de comprometermos nosso futuro de socieade livre e democrática..
Sem dúvida, a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis será um processo longo e dolorido para o país e certamente muitas surpresas aparecerão no seu curso. Se esse processo for levado até o fim com o rigor e a independência necessários, assistiremos a uma espécie de refundação da democracia brasileira, que pode dar lugar a instituições mais sólidas, a partidos mais organizados, a uma vida pública mais transparente. Se não conseguirmos isso e sucumbirmos à tentação da contemporização, seremos todos levados de roldão pela crise para um futuro incerto e sombrio."
Queridos amigos. Precisamos nos mobilizar politicamente, e não permitir que as instituições democráticas sejam levadas de roldão. Vamos pintar as caras novamente.